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Arquitetura Neoclássica

texto pelo Arq. Marcos Delgado
Disciplina: Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo
Departamento de Engenharia e Ciências Exatas - DEEX
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Considerações sobre a Arquitetura Neoclássica
 

O estilo Neoclássico foi adotado pela classe burguesa, agora a classe hegemônica, ou seja, detentora do poder. Buscava-se na arquitetura um estilo autêntico.
Foi em Joham Winkelmann (1717 - 1768), quando da sua chegada a Itália em 1775, tendo publicado a "Storia dell'arte antica", que pela primeira vez, procurou-se estudar a produção artística dos antigos como ela é, e não como é acolhida pela moda da época, o que fez com que ele fosse chamado de fundador da história da arte; ao mesmo tempo, propôs as obras antigas como modelos precisos a serem imitados.
Através da antiguidade, mais precisamente na era clássica onde se buscou a inspiração para o novo estilo. Duas correntes então surgiraaam: para Le Roy ("Ruine des plus beaux monuments de la Grèce"), James Stuart e Nicholas Revet ("Antiquities of Athens") era a cultura grega fonte inspiradoura para o partido arquitetônico adotado no Neoclássico; para Giovanni Battista Piranesi ("Della magnificenza ed arquitettura dei Romani") é na cultura etrusca e posteriormente romana que se devia buscar elementos para o novo movimento, pois a civilização etrusca e romana "...elevaram a arquitetura ao seu mais alto nível de refinamento".
Para Claude Perrault baseado na relatividade cultural, questionou a validade das proporções vitruvianas do modo como elas foram recebidas e apuradas pela teoria clássica. Em vez disso, ele elaborou sua tese de beleza relativa e beleza arbitrária (adj. 1. Resultante de arbítrio pessoal, ou sem fundamento em lei ou em regras. 2. Diz-se de ato em que intervém o capricho, à custa da verdade, da razão ou da justiça; caprichoso). A primeira teve seu papel normativo de padronização e perfeição. A segunda a função expressiva que possa ser requerida por uma circunstância ou uma característica especial.
O Classicismo, no momento em que chega a ser precisado cientificamente, torna-se uma convenção arbitrária, transformando-se em neoclassicismo.
Para os ingleses este movimento foi chamado de "historicism" (historicismo), já que esta nova posição amplia-se para além das formas clássicas. Produziu-se "revivals" do gótico, do bizantino, do árabe, etc.
Num certo sentido as teses da cultura humanista - a unidade da linguagem e a liberdade concedida ao artsta no âmbito da própria linguagem - transformaram-se, em uma contradição sem saída.
Se por um lado a unidade da linguagem estava consolidada, já que o conhecimento objetivo dos monumentos históricos permitiam imitar um estilo do passado em toda sua plenitude, o fato de serem tantos estilos para serem imitados incutidos na mente do projetista, este repertório historicista, em seu conjunto, estava absolutamente descontínuo.
A contestação da ortodoxia vitruviana foi codificada pelo abade de Cordemoy em seu "Noveau Traitè de toute l'achitecture" (1706), em que substituiu is atributos vitruvianos da arquitetura - utilitas, firmitas e venustas (utilidade, solidez e beleza) por - ordonnance, distribuicion e bienséance (ordem, distribuição e conveniência). Enquanto as duas primeiras categorias levavam em conta a proporção correta das ordens clássicas e a sua disposição apropriada, a terceira alertava para a noção de adequação, isto é, a aplicação adequada no uso dos elementos clássiicos ãs estruturas utilitárias ou comerciais. O tratado de Cordemoy antecipava a preocupação de Jacques-François Blondel com a expressão formal apropriada e com a fisionomia diferenciada para ajustar ao caráter social variável de diferentes tipos de construção. A época já estava tendo que enfrentar a articulação de uma sociedade muito mais complexa.
Além de insistir na aplicação sensata e equilibrada dos elementos clássicos, Cordemoy preocupava-se com sua pureza geométrica, em reação contra o Barroco e seus devaneios como a coluna irregular, os frontões quebrados e as colunas torcidas. Também ornamentação tinha de ser submetida à adequação. E assim Cordemoy antecipava em duzentos anos "Ornament und Verbrechen" (ornamento e crime) de Adolf Loos que sustentava que muitas construções não pediam ornamento algum.
Nessa linha J. F. Blondel abriu sua escola de arquitetura na Rue de la Harpe, em 1743 se tornando mestre da chamada geração "visionária" de arquitetos (Ètienne-Louis Boullèe, Jacques Gondoin, Pierre Patte, Marie-Joseph Peyre, Jean-Baptiste Rondelet e Claude-Nicolas Ledoux).
Para estes, de um modo geral, o projeto arquitetônico deveria exibir uma fachada representativa, em que se buscava a idéia de uma "fisionomia" arquitetônica, enquanto articulava cada elemento interno como parte de um sistema espacial contínuo cujas perspectivas evocavam um sentimento do sublime.
Após 15 anos de desordem, a era napoleônica requeria estruturas úteis de grandeza e autoridade apropriadas, desde que realizadas de maneira mais barata possível. Jean-Nicolas-Louis Durand, primeiro professor da Ècole Polytechinique, procurou estabelecer uma metodologia universal da edificação, contrapartida arquitetônica do Código Napoleônico, mediante a qual estruturas econômiicas e apropriadas poderiam ser criadas pela permutação modular de tipos fixos de plantas e elevações alternativas. Estavam em pauta a tipologia normativa e econômica da edificação.
 

Bibliografia consultada
BENEVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. São Paaulo: Perspectiva, 1976. 813p.
FRAMPTOM, Kenneth. História Críticaa da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes. 1997. 469p.

 

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