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Evolução Urbana do Brasil
A política urbanizadora ou o método de urbanismo que se operou no Brasil desde a
época do seu descobrimento e da criação das primeiras cidades, caracterizou-se
sobretudo pelo esforço de controlar e influir sobre as transformações que normalmente
ocorrem num processo como a urbanização das cidades.
Grau de controle - varia de acordo com o grau de teorização. Teoria × prática
No Brasil, o processo de colonização e a necessidade de Portugal de tomar posse das
novas terras descobertas, gerou o que chamamos de processo de colonização, onde se fazia
necessária uma política estratégica de apropriação do espaço.
Observou-se que nas colônias exploradas pela Espanha havia orientações do traçado, que
deveria ser executado através de uma malha de ruas que se entrecortavam em torno de uma
praça central. No entanto, no Brasil, colônia portuguesa não havia esse tipo de
orientação ou outra qualquer. Há autores que disseram que "a ordem era ignorada
pelos portugueses no planejamento de cidades em países novos".
A criação desses núcleos apesar de obedecer a determinados critérios de localização
não dispunham de uma orientação técnica mais precisa e começou a se fazer necessária
a vinda de engenheiros e arquitetos militares de Portugal.
Até meados do século XVII, a política urbanizadora aplicada pelos portugueses consistia
em estimular a formação de vilas nos territórios dos donatários. Fato este que foi
observado através da proliferação de vilas nas terras dos donatários, enquanto os
territórios da coroa havia uma despovoação.
A dispersão da população causada pela decadência da agricultura conduziu a uma
mudança da política e no programa de criação das cidades, bem como o controle estreito
sobre as vilas fundadas pelos donatários.
Exigências de uma estrutura administrativa:
capitães de ordenança - segurança
Juizes - exercício das justiças e dos direitos
Senado da Câmara - Ordem política e administrativa
Escrivão da câmara - documentação e comunicação com a coroa
Crescimento acelerado - exigências de pessoal técnico - Escola de artilharia e arquitetura militar - Bahia/1699.
Os núcleos urbanos
Os centros urbanos compõem o sistema social e espacial da colônia
A colônia funcionava como uma retaguarda rural para o mundo europeu e seus núcleos como
sede de ações político-administrativas.
Dispersão
A produção açucareira localizada nas grandes unidades rurais - elevado grau de
organização econômica. - Conjunto complexo - matéria-prima, mão de obra, etc.
Concentração da população fora dos centros urbanos.
Centros urbanos maiores
Cidades da coroa - entreposto para o mercado europeu.
Centros urbanos - população flutuante - casa dos senhores de engenho.
Movimentação na época de festas religiosas - procissões
Ausência de população trabalhadora, concentrada no campo ou na cidade a serviço dos
seus senhores.
Cidade - funcionários administrativos
Centros urbanos menores
Com a queda dos preços do açúcar é interrompida a expansão agrícola e os excedentes
populacionais dessas regiões começam a imigrar para outros setores agrícolas ou para os
centros urbanos.
Organização espacial
Orientação aos donatários
1. Crescimento dos núcleos - Área destinada às construções e previsão de área para
a expansão - pastagem de gado e abastecimento de madeira (lenha).
2. Construir vilas ao longo da costa e dos rios navegáveis com distâncias mínimas de 6
léguas (1 légua = 6Km), não havendo assim perdas de espaço para a expansão das
cidades.
3. Preocupação com o arruamento, espaços mais abertos visando a apreciação de
determinadas edificações, etc.
Situação - Preferencial no litoral visando questões:
Econômicas - portos/transportes para os contatos comerciais com a Europa;
Administrativas - centralização - acessibilidade facilitada;
Militares - defesa - controle de comunicação marítima e terrestre.
Sítio - falar sobre a China (cerimônia) e a Índia (cor do solo e inclinação)(Critérios de escolha da localização)
Natureza do solo - qualidade
Relevo - defesa e controle, inclusive da comunicação
Fontes de água para consumo humano
Clima
No Brasil, a má escolha de determinados centros ocasionava-se pelo descobrimento da região.
Traçado urbano
Padrões de racionalidade e regularidade deveriam ser relacionados com os conhecimentos da
arquitetura e do urbanismo reinantes na época - renascimento - Europa
Regularidade do traçado - até certo ponto seguido, principalmente nos núcleos maiores -
Perspectivas monumental.
Nos núcleos menores eram marcante a presença de um traçado menos regular porém com uma organização que valorizasse espaços (praças) localizados nos principais pontos de atividades (casa de câmara e cadeia), igrejas, conventos, etc.
Ruas e Praças
As ruas tinham significado como local de permanência - ligação entre pontos de
interessa - Movimento reduzido.
Centros maiores - ruas comerciais que tornam-se aos poucos como locais de permanência -
uso constante - comerciantes e artistas.
Recreação e procissão.
As praças tinham um tratamento diferenciado - Arquitetura mais trabalhada - rodeadas de edifícios religiosos ou oficiais.
Função econômica - comércio, inclusive de escravos, etc.
Função político/administrativa - casa de câmara e cadeia
Função social - reuniões, procissões, festas.
Ruas e praças sem nenhum tratamento de superfície - progresso lento - uma ou outra praça ou rua eram calçadas. O crescimento forçava uma atitude.
Limpeza urbana - Fins do século XVII - preocupação nos centros maiores.
Alinhamento de ruas - necessidade de orientação técnica
A população fechava ruas, abria passagens ou avançava sua construção sem nenhuma
autorização.
Largura das ruas - 66 palmos - 14m
Casas construídas no alinhamento do lote
Quadras e Lotes - Quando havia certa regularidade - em média 8 lotes
Construção no alinhamento - contraste com os grandes vazios formados pelos quintais.
Lotes (2, 3 e 4 braças)
Formação de bairros e zoneamento - Segregação espacial - condicionantes naturais
Acomodação da população através de atividades - Ruas especializadas - Europa
Rua do ouvires - Rua dos Ferreiros
Século XIX - Poucas alterações no contexto urbano brasileiro - progresso industrial
e as conseqüências desse desenvolvimento - desenvolvimento do sistema de transporte nos
centros urbanos maiores
A expansão urbana continuava ocorrendo sempre com o intuito de ocupação e apropriação
do espaço.
Expansão urbana - Forma radial 180° e 90° - Ex.: Fortaleza, Salvador Forma concêntrica
- Ex.: São Paulo, Belo Horizonte
Mudanças na arquitetura que influenciaram no contexto urbano
Inserção da edificação no lote:
1. Afastamento em uma das laterais - melhoria na circulação de ar das ruas, quase sempre
estreitas - conforto
2. Afastamento nas duas laterais - entrada pela lateral da casa e introdução dos jardins
Separação da entrada social e de serviço
3. Recuo frontal - independência da edificação - rompimento do contato direto com
pessoas - alteração nos costumes
Exigências de saúde: banheiros com água corrente
Ex.: Casa térrea, casa com porão elevado, casa com porão elevado e recuada
A medida que ocorria a expansão em direção onde antes estavam as chácaras, havia uma adequação ou transformação da arquitetura - terrenos menores e arquitetura mais urbana. Essas transformações na arquitetura estão diretamente ligadas aos equipamentos urbanos - Melhoria em alguns serviços básicos: Redes de esgoto pavimentação de ruas coleta de lixo: higiene - saúde - conforto
Resumo: Até início do século XX, a sociedade brasileira estava ainda muito ligada
às influências da colonização - Já neste século, forçados pelo crescimento
acelerado da população e dos centros urbanos, surgiu a necessidade de uma união entre a
rigidez urbana e o aspecto natural das chácaras. A partir daí surge a verticalização
das edificações - solução de ocupação espacial - concentração de atividades e as
propostas de um programa mais complexo.