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A Arquitetura e o Desenvolvimento Tecnológico do Século XIX
texto pelo Arq. Marcos Delgado
Disciplina: Teoria e História da Arquitetura e do Urbanismo
Departamento de Engenharia e Ciências Exatas - DEEX
Curso de Arquitetura e Urbanismo
A Arquitetura e o Desenvolvimento Tecnológico do Século XIX
O ponto marcante dos sistemas estruturais arquitetônicos, baseia-se na formação do
ambiente que será local de desenvolvimento de atividades humanas.
A estrutura arquitetônica além dos cuidados técnicos em manter a estabilidade da
construção (caráter estático), tem o comprometimento maior de caráter psicológico e
estético.
Neste ponto é importante diferenciar a tecnologia da arquitetura e a tecnologia da
engenharia.
Foi com a realização das primeiras estruturas metálicas para pontes e edifícios que se
encaminhou decisivamente o processo de tecnologia da construção do século XIX.
Contribuições importantes:
* Escola Politécnica de Paris;
* Ponte de ferro fundido: rio Seven, Inglaterra, arquiteto: Darby, (1775 - 1779);
* Ponte Sunderland: Inglaterra, arquiteto: Burdon, (1793 - 1796);
* Substituição da estrutura em madeira do Teatro Francês por uma estrutura de ferro
forjado (Victor Louis) - 1786;
* Estrutura em ferro para o Mercado de Trigo de Paris (arquiteto - Bellange / engenheiro -
Brunet) - 1811;
* Invenção das passagens cobertas ou galerias - construída com estruturas metálicas e
fechamentos de vidro (1800). Criava-se um micro-clima no interior dessas galerias. Ex.:
Galeria Panoramas, Galeria d'Orleans, Galeria Lafayete. Por volta de 1840 estas galerias
já chegavam a centenas.
O sucesso de público contribuiu para a criação de condições subjetivas favoráveis à
plena manifestação de uma nova arquitetura.
O fator decisivo das mudanças realmente substantivas no campo da arquitetura, resulta
fundamentalmente nas exigências programáticas (programa de necessidades). São elas que
manifestando necessidade, interesses e aspirações individuais e sociais, induzem as
transformações artísticas e o desenvolvimente da arquitetura e da tecnologia
específica.
A arquitetura da burguesia feita em ferro, vidro e luz tem seu ponto culminante na GALERIA
DAS MÁQUINAS do arquiteto Ferdinand Dutert para a exposição mundial de Paris, em 1889.
Obras importantes no Desenvolvimento Tecnológico
1818-1821 - Pavilhão Real de Brighton (Jonh Nash) - Pela primeira vez a coluna de
ferro fica a vista num "ambiente elegante".
1824 - Construída em ferro, a nave do mercado de la Madeleine - Paris.
1833 - Hibernáculo do Museu de História Natural de Paris (Charles Rahault de Fleury).
1851 - Palácio de Cristal - para a primeira Exposição Internacional de Londres. Foi a
primeira exposição mundial da história da humanidade.
1853-1867 - Os projetos de Hector Horeau que mesmo não tendo sido executado nenhum deles,
tinham em seu desenvolvimento o espírito dos novos tempos, ou seja, precisão e
racionalidade.
Hector Horeau participava da mesma linha de arquitetos com Labrouste, Durand,
Viollet-le-Duc.
Para Henry Labrouste, "A beleza de um edifício decorre menos de sua ornamentação
ou do seu estilo, do que das suas qualidades lógicas e racionais". Um exemplo desta
sua racionalidade é a Biblioteca Nacional de Paris (1862-1868).
Para Eugéne Emmannuel Viollet-le-Duc "Se a forma indica claramente o objeto e faz
entender o fim para o qual ele foi produzido, esta forma é bela. É por isso que as
criações da natureza sempre são belas para o observador (...) A máquina é a
expressão exata da função que ela desempenha: nós artistas não temos necessidade de
irmos mais longe.
As passagens cobertas e galerias, os hibernáculos, as concepções revolucionárias de
Hector Horeau, o Palácio de Cristal da exposição de Londres, os trabalhos de Labrouste
e as lições de Viollet-le-Duc, lançam os fundamentos programáticos, os materiais e as
técnicas (condições objetivas), e o suporte teórico e da opinião pública
(condições subjetivas), para a plena afirmação da nova arquitetura.
AS EXPOSIÇÕES UNIVERSAIS
As exposições universais tinham o objeyivo de divulgar as novas tecnologias e
produtos que surgiam no bojo da industrialização. Assim sendo 16 exposições ocorreram
no séc. XIX. São elas:
- 1851 - Londres;
- 1855 - Paris;
- 1863 - Londres;
- 1867 - Paris;
- 1873 - Viena;
- 1876 - Filadélfia (EUA);
- 1878 - Paris;
- 1879 - Sdney (Austrália);
- 1880 - Melbourne (Austrália);
- 1883 - Amsterdã (Holanda);
- 1885 - Antuérpia (Bélgica);
- 1885 - New Orleans (EUA);
- 1888 - Barcelona (Espanha);
- 1888 - Copenhague (Dinamarca);
- 1899 - Bruxelas (Bélgicas);
- 1889 - Paris.
Entre a Exposição Universal de Londres (1851), e a Exposição de Paris em 1889,
formulou-se na Europa novos programas de necessidades. Entre eles as grandes lojas de
departamentos (magazins). Exigência da Revolução Industrial, que redimensionou o
comércio não só na escala mundial, mas também à escala da cidade. Nesse processo
aumentam extraordinariamente o volume e a variedade das mercadorias em depósito e em
oferta, mercadorias que devem ser armazenadas, distribuídas e colocadas à venda,
buscando atender à demanda de uma massa crescente de consumidores. E buscando, inclusive,
criar novas necessidades de consumo, no rumo das atuais sociedades de consumo dirigidos
(ex. os docks à bon marché). É o caráter dominante da nova sociedade que começa a se
delinear como "socieade de consumo".
A construção do Bon Marché por Boileau e Eiffel, constituiu a primeira grande loja
moderna em ferro e vidro, assegurando livre afluxo de luz natural aos interiores. Esse
prédio contrastou com o tipo de prédios comercias da época constituídos por pavimentos
superpostos e iluminados artificialmente na maior parte dos seus espaços. Boileau
constatou que as paredes maciças não se adaptavam bem ao tipo de espaço conveniente às
grandes lojas e a estrutura deveriam ter colunas de pequenos diâmetros. Destaca-se,
portanto, no Bon Marché, a ampla superfície envidraçada, os vidros dispostos em série,
sem nenhuma interrupção. A marquise, também em vidro, se estende ao longo de toda a
fachada da loja, por cima das vitrines, acentuando ainda mais o efeito dos seus grandes
vidros.
A Exposição Universal de Paris, em 1889, é considerada o ápice da onda de
construções de grandes pavilhões e da arquitetura em ferro e vidro ocorrido na Europa
no séc. passado. A Torre Eiffel (Gustave Eiffel) e a Galeria das Máquinas (Ferdinand
Dutert).
Tal como na Europa, os Estados Unidos tem sua nova arquitetura intimamente relacionada com
os interesses da indústria e do comércio. O ferro e o vidro também foram os principais
materias empregados, mas ao contrário da Europa, difunde-se nos Estados Unidos, o sistema
estrutural de esqueleto e com base também na invençõ do elevador (Otis- 1853), surgem
os edifícios com muitos pavimentos - os arranhas-céus.
Os arranha-céus (condições objetivas) respondiam às exigências de um vigoroso
processo de urbanização desencaeado nos EUA e da especulação imobiliária ecorrente.
As condições subjetivas, por sua vez estavam fundamentadas no descompromisso da
população americana com qualquer tipo de tradição arquitetônica mais elaborada.