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Arquitetura e
Urbanismo no Brasil
Acervo cultural que tem suas raízes no período colonial. Nos três primeiros
séculos, as manifestações arquitetônicas de real valor estético se concentraram nos
edifícios para fins religiosos (igrejas, capelas, conventos, etc.). No que se refere à
organização das cidades, os colonizadores portugueses, ao contrário dos espanhóis,
pouco se preocupavram com o planejamento urbano, permitindo um desenvolvimento espontâneo
descontrolado. A figura mais notável da arquitetura do séc. XVI foi o jesuíta Francisco
Dias que projetou várias igrejas em Salvador, Olinda e Santos. No séc. XVII,
igrejas as igrejas têm externamente características maneiristas (ver Estilo Maneirista).
Interiormente, apresentam decoração exuberante com ênfase nos dourados e talhas
lavradas. A arquitetura civil exprimiu-se com relativa austeridade. As casas eram quase
sempre térreas, de taipa de pilão com amplos beirais. No séc. XVIII, o ciclo do ouro
produziu na região de Minas Gerias um excepicional desenvolvimento urbano, dando origem
ao Barroco Mineiro (ver Aleijadinho - Personalidades). No séc. XIX, os edifícios
públicos e as residências particulares ganharam feições neoclássicas com a chegada da
Missão Artística Francesa. No fim do séc. XIX, o ecletismo predominou na persistência
simultânea dos modelos coloniais, neoclássicos e no Art Nouveau, representado nos
arquitetos Victor Dubugras e Carlos Eckman. As concepções arquitetônicas mais
avançadas do séc. XX chegaram ao Brasil na década de 20 com Warchavchik e Rino Levi. A
partir da década de 30, desenvolveu-se os nomes de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Afonso
Reidy, os irmãos Roberto, Henrique Mindlin, Vilanova Artigas, Sérgio Bernaedes e outros.
O urbanismo teve suas primeiras expressões modernas em Pereira Passos e Paulo de Frontin,
que remodelaram o Rio de Janeiro. A remodelação urbana de São Paulo foi planejada por
Prestes Maia. O planejamento global de novas cidades surge com os projetos urbanísticos
de Belo Horizonte (1900) por Aarão Reis e de Goiânia (1936) por Atílio Correia Lima. O
Plano-Piloto de Brasília, de autoria de Lúcio Costa, constituiu um marco por suas
inovações audaciosas e controversas. A explosão urbana do segundo pós-guerra impôs o
surgimento de numerosos planos urbanísticos, cuja execução tem se defrontado com
dificuldades orçmentárias e com o antagonismo dos grandes interesses imobiliários.
Criação e evolução do planejamento urbano
"Raramente a unidade administrativa de uma aglomeração coincide com a unidade geográfica, ou seja, a região".¹
Quando fala-se em planejamento urbano imagina-se os estudos e planos para uma determinada cidade com limites que coincidem com os limites geográficos, porém esse planejamento não seria completo se não fossem observadas as relações dessa cidade com a região onde está inserida. Daí portanto, a necessidade de pensar-se em planejamento urbano regional. O núcleo urbano é uma parte do todo que é a região.
Ex.: Europa (século passado)
Brasil (atualidade)
Foi nesse quadro do caos urbano que o planejamento urbano teve sua origem, surgindo então o que chamou-se de urbanismo sanitarista que visava sobretudo melhorar a racionalidade da organização espacial, considerando também a estética.
Evolução do Planejamento Urbano
A evolução do planejamento urbano vem acompanhando as mudanças de natureza dos
problemas urbanos. No início do século, os problemas eram basicamente a saúde e a
superpopulação, onde os cuidados com a construção e controle do uso do solo pretendiam
resolver os problemas sociais através da melhoria do meio ambiente.
Porém, a severidade e persistência dos problemas urbanos mostrou que essas medidas eram
insuficientes para evitar um retorno ao caos completo. Faz-se necessário um planejamento
numa escala mais ampla, que não se limite apenas ao traçado e distribuição equilibrada
de densidades populacionais. O momento exige intervenções estratégicas relacionadas com
a moradia, transportes, trabalho (emprego) e prestação de serviços.